
📷 27 de Julho de 2022 – Gramado – RS – Brasil
Eu sempre fui uma criança que brincava de carrinhos, tinha até alguns bonecos, mas meu lance sempre foi carrinhos: hot wheels era minha paixão, carrinho de controle remoto, carrinho imaginário dentro de uma caixa de papelão, ou quando eu pegava uma tampa de panela e ficava correndo pela casa imaginando que estava dirigindo, gostava de brincar de super trunfo de carros, sentava no banco do motorista do carro do meu pai e ficava me imaginando dirigindo, entre outras coisas.
Nos video games, fora os jogos de futebol, meus favoritos eram os de corrida. Filmes? A mesma coisa, “Velozes e Furiosos”, “60 segundos” e qualquer um que tivesse corrida e carros bonitos. Eu acordava aos domingo de manhã pra ver Auto Esporte e logo depois as corridas de Fórmula 1. Eu lia revistas sobre carros, eu desenhava carros nos meus cadernos, eu pensava e vivia carro.
Quando mais velho, a paixão permaneceu e eu felizmente tive a oportunidade de conduzir alguns ícones do automobilismo como Mustangs, Camaros e Corvettes. Mas faltava ela, a Ferrari. Eu me lembro como se fosse ontem, o dia que eu estava passeando por um Salão do Automóvel com meu pai durante minha adolescência e por algum motivo ligaram o motor de uma Ferrari dentro do galpão do Anhembi. Aquele eco estrondoso da potência ensurdecedora me atingiu em cheio.
Durante uma viagem, enquanto eu passeava por museus e atrações turísticas, me deparei com uma locadora de super esportivos. Lá vi belos exemplares de carros lendários, todos disponíveis para passeios… Entre eles, uma Ferrari Califórnia vermelha conversível lindíssima. O valor era alto pelo tempo e distância que eu teria, certamente pensando logicamente não faria sentido nenhum, mas ativei meu mantra do “só se vive uma vez” e lá fui eu viver.
Em salões do automóvel ou museus, eu já havia sentado no banco de motorista de Ferraris, mas dessa vez eu estava lá para valer. Momentos como esse, demoram para cair a ficha, lá estou sentado, segurando o volante, dando partida, ouvindo aquele som lendário que faz tremular o motor, o carro, o banco, o volante, minhas pernas, minha alma. É o famoso “sei nem o que dizer, apenas sentir”. Se você que está lendo o texto e não curte carros, certamente deve estar achando engraçado e exagerado, mas pra mim não foi. Eu estava em uma Ferrari e logo acelerei e parti para meu breve e curto passeio.
Foi curto mesmo, dezenove minutos em alguns quilômetros. Tudo conduzido pela força do medo de fazer alguma besteira e bater aquele carro, afinal eu vi inúmeros vídeos na internet com pessoas fazendo barbeiragens com Ferraris e Lamborghinis no muro. Eu não sabia se eu acelerava para sentir tudo que o carro tinha para oferecer, ou se ia devagar curtindo cada segundo. Fiz as duas coisas, acelerei e fiquei surpreso com a diferença gritante que é dirigir uma Ferrari para qualquer outro que eu já havia tocado, é uma potência diferente, o voltante é firme e responde tudo muito rápido. Cada acelerada e esticada o motor se enchia no mesmo ritmo que meu coração se enchia de empolgação. Foi mágico, é a típica experiência que vale cada segundo.
Por: Luccas Oliveira
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